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Artigo · Crédito

O CET é o preço inteiro do crédito — a parcela é só a fatia do mês

Parcela cabe no mês e ainda assim o crédito pode ser o mais caro da mesa. O CET existe para mostrar o custo em um número comparável, com juros, tarifas e encargos. Sem CET, a vitrine da parcela ganha o debate.

Conteúdo por Larissa Matias (editorial) Revisado em Próxima revisão até

O que o CET junta

CET é uma taxa que consolida os custos da operação de crédito: juros, tarifas, seguros obrigatórios da oferta e impostos incidentes, conforme a norma. É o número feito para comparar propostas desiguais, como a do banco onde você recebe, a da financeira da loja e a do aplicativo que apareceu no fim da tarde. Sem ele, cada proposta escolhe sozinha a métrica em que parece mais leve.

Duas parcelas iguais podem ter CETs diferentes se uma inclui tarifa de abertura, IOF ou seguro embutido. Olhar só o valor mensal é comparar o sintoma, não o preço: o vendedor mexe em prazo e entrada até a prestação bater com o número que você disse que cabe. A pergunta que devolve a conversa ao lugar é qual das duas propostas tem o CET maior, e o que exatamente entrou nessa diferença.

Por que a parcela engana

Prazo maior dilui a parcela e geralmente aumenta o total pago. O mês alivia; o contrato engorda. Os dois efeitos precisam aparecer na mesma frase, porque separados viram argumentos opostos e igualmente verdadeiros. Quando alguém diz que a prestação ficou menor, a pergunta seguinte é sempre em quantos meses, e o que já estava reservado nesses meses no calendário da casa antes de a oferta chegar.

O Banco Central exige que o CET seja informado antes da contratação. Se a proposta não mostra, a proposta está incompleta, e insistir para ver o número por escrito não é atrito com o atendente. O Código de Defesa do Consumidor também pede informação clara e adequada. Peça a simulação impressa ou em arquivo: o que foi dito no balcão some, e o que está no papel dá para comparar em casa.

Como usar o CET neste mês

Use o CET para ordenar alternativas: rotativo do cartão, parcelamento de fatura, crédito pessoal, consignado. Ordenar não é escolher. Depois de organizar a lista, olhe se a parcela da opção de menor custo ainda cabe no disponível daquela categoria neste mês. Uma prestação que não cabe cria risco de atraso e precisa ser avaliada junto com as condições previstas no contrato.

A ferramenta à vista ou parcelado devolve total, taxa implícita e meses ocupados a partir do que você digita. Ela não substitui o CET oficial do contrato e não sabe quais tarifas a instituição vai cobrar, mas impede a ilusão da parcela isolada, aquela em que só o valor mensal aparece na tela e o resto fica fora do campo de visão. A conferência final é sempre a planilha de quem empresta.

Fonte do Banco Central

Promoção sem juros pode ter preço à vista diferente. Se o mesmo produto sai mais barato pagando de uma vez, compare a diferença entre os totais, mesmo sem a palavra juros no cartaz. Pergunte o valor à vista antes de aceitar o parcelamento, inclusive quando a loja anuncia desconto só no Pix. Essa conta doméstica ajuda a comparar preços, mas não substitui o CET oficial de uma operação de crédito.

Este artigo não calcula o CET da sua proposta e não conhece as tarifas do seu contrato. Planilha do credor e norma do Banco Central vencem qualquer exemplo didático, incluindo os desta página. O que fica é o hábito: pedir o número, anotar o prazo ao lado dele e só então comparar duas ofertas. Quem compara parcela contra parcela está deixando o vendedor escolher a régua da conversa.

Do texto para a prática

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Fontes e revisão